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A Páscoa ao redor do mundo

Para finalizar o nosso Especial de Páscoa, hoje, na esperada data, vamos ver como as pessoas comemoram esse dia (e a Semana Santa como um todo) ao redor do planeta.

Argentina

Como culto católico, a Páscoa é a data mais forte e representativa para nossos “hermanos”. Na Argentina são celebradas missas nos quatro dias da Semana Santa e realizadas atividades religiosas como a encenação da Paixão de Cristo. “Na cidade em que fui criado, Tandil, são feitas peregrinações ao Monte Calvário, um lugar muito bonito em que são representadas a crucificação e a ressurreição de Cristo”, conta o argentino Daniel Gamallo.

Assim como no Brasil, os argentinos não comem carne de vaca ou porco na Sexta-Feira Santa. Mas, para eles, a restrição começa antes, na Quinta-Feira. “É bem parecido, embora no Brasil o apelo comercial da ocasião seja maior. Principalmente em relação aos ovos de chocolate”, comenta Cristina Moniz, brasileira que vive em Buenos Aires. Para os portenhos, os votos de felicidade devem ser no plural. Como eles dizem: “Felices Pascuas”.


Bélgica e França

Na Bélgica e na França os sinos das igrejas não tocam entre a Sexta-Feira da Paixão e o Domingo de Páscoa. Segundo a lenda, os sinos voam para Roma e, no caminho de volta, deixam cair os ovos que as crianças devem encontrar no Domingo. As crianças belgas fazem, inclusive, ninhos de palha para estes ovos.


Bulgária

Uma das tradições na Bulgária são os ovos cozidos após a missa da Quinta-Feira Santa. Outra são os pães pascais chamados Kozunak, que têm sabor semelhante ao do panetone. Pequenos ou grandes, eles são decorados com ovos vermelhos (sempre em números ímpares) e levados à igreja na madrugada de sábado. Assim como os ovos, são abençoados e dados a familiares e amigos. Após o almoço de Páscoa, cada pessoa da família pega um ovo e todos começam a batê-los uns com os outros. Acredita-se que quem ficar com o ovo inteiro terá um ano de sorte.


Espanha

Na Espanha a celebração de Páscoa é essencialmente religiosa. Não há, como aqui, o hábito de trocar ovos de chocolate, mas alguns hábitos são semelhantes, como a ausência de carne – come-se peixe e, principalmente, bacalhau – no cardápio da Semana Santa. Há ainda doces típicos da data, como a rabanada (consumida em todo o país) e o Osso de Santo (que faz parte das celebrações de algumas regiões).

“Além destes pratos, o mais típico são as procissões. É uma festa religiosa quase tão importante quanto o Carnaval para o Rio de Janeiro. As pessoas se fantasiam de Romano, de Jesus e de Apóstolos e carregam pelas ruas a cruz de Jesus”, conta o espanhol Gonzalo Delgado.


Estados Unidos

A atividade mais comum nos Estados Unidos é a caça ao ovo de Páscoa. Os ovos cozidos, decorados com tintas e os ovos de chocolate são escondidos e as crianças devem encontrá-los. Em comunidades menores, as crianças da cidade se reúnem em praças para encontrar os ovos, escondidos por todo lugar. “É parecido com o que é feito no Brasil, mas aqui os ovos de chocolate são em menor quantidade e também são distribuídas muitas balas”, comenta a brasileira Maíra Levier, que vive na cidade de Salt Lake City.


México

Segundo o mexicano Vicente Quezada, as comemorações de Páscoa são simples no México. “Só os mais católicos e os que vivem no interior seguem as tradições”, diz. Mas há, no país, um fenômeno muito forte: a encenação da Paixão de Cristo, especialmente a apresentação que acontece em Iztapala, cidade ao sul da Cidade do México. “É o símbolo das comemorações de Páscoa no México”, afirma Vicente.

A representação da Paixão de Cristo em Iztapala é realizada desde 1843. Após uma epidemia de cólera que praticamente dizimou a população local, os sobreviventes imploraram ajuda ao Santo Sepulcro e, após dez anos sem nenhum registro da doença, realizaram a primeira representação como forma de agradecimento. Desde então, todo ano a cidade se converte em uma antiga Jerusalém, atraindo cerca de 3 milhões de mexicanos.


Portugal

Como em toda boa festa portuguesa, na Páscoa não falta bacalhau. Mas este não é o único prato que faz parte das comemorações da Semana Santa por lá. Além das amêndoas e do chocolate, há também o Folar que, embora não se saiba exatamente quando surgiu, é uma tradição muito antiga.

Segundo uma lenda portuguesa, o sonho de uma jovem aldeã chamada Mariana era se casar. Após pedir à Santa Catarina, surgiram dois pretendentes: um lavrador pobre e um fidalgo rico.

No Dia de Ramos, os dois envolveram-se em uma luta e o lavrador foi escolhido por Mariana. Mas a jovem ficou com medo de que o fidalgo matasse o noivo no dia do casamento e recorreu novamente à Santa, que lhe sorriu. Agradecida, a jovem lhe ofereceu flores. Quando chegou em casa, Mariana encontrou um bolo com ovos inteiros ao lado das flores que havia oferecido à Santa Catarina. Como o mesmo aconteceu com os dois pretendentes, o bolo tornou-se símbolo da celebração da reconciliação e da amizade. Por esta razão, no Domingo de Ramos os portugueses oferecem a seus padrinhos um ramo de flores e recebem, em troca, o Folar.


Suécia

As tradições pascais da Suécia lembram o Halloween norte-americano. Na Quinta-Feira Santa ou na véspera da Páscoa, as crianças vestem-se como bruxos e distribuem entre os vizinhos um cartão decorado conhecido como "Carta de Páscoa". O objetivo é receber, em troca, doces ou dinheiro. O costume tem origem em uma lenda local que diz que cresce durante a Páscoa a atividade de bruxas e bruxos.


Suíça

Na Suíça, não poderia faltar chocolate nas comemorações de Páscoa. “Os coelhos de chocolate são escondidos dentro de casa e as crianças devem procurá-los, acreditando que quem os levou foi a coelhinha da Páscoa”, conta o suíço Rolf Müller. Além da brincadeira, bem parecida com as que são feitas por aqui, há outras semelhanças entre as celebrações suíça e brasileira, como a tradição de não comer carne na Sexta-Feira Santa. Mas há também diferenças. A segunda-feira após o Domingo de Páscoa, por exemplo, também é feriado por lá. Além disso, eles seguem a tradição tipicamente européia das pinturas em ovos de galinhas.


Uruguai

No Uruguai, as comemorações da Semana Santa começam no Domingo de Ramos, uma semana antes da Páscoa. “Recordamos a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém com a Missa de Ramos e a bênção dos ramos de oliva, que representam a coroa colocada na cabeça de Jesus em sua marcha até a crucificação”, explica a uruguaia Laura Busto. Ela conta que na Quinta-Feira Santa, dia da última ceia, os uruguaios comemoram refazendo a Via Crucis. “É costume realizar uma procissão de uma igreja a outra para rezar e meditar”, comenta. Na Sexta-Feira Santa, dia de luto pela morte de Jesus, não há festejos e, como no Brasil, não se come carne. Já o Domingo é dia de festa como ovos de chocolate de todos os tamanhos.


China

No mesmo período da Páscoa, os chineses comemoram o "Ching Ming". Nessa época, eles visitam os túmulos dos ancestrais e deixam oferendas para eles, como forma de satisfazê-los em relação aos seus descendentes.



Índia


Os hindus fazem o festival Holi para relembrar o surgimento do deus Krishna. Nesta época a população dança, toca flautas e faz comidas especiais para receber os amigos. É comum que o dono da casa marque a testa dos convidados com um pó colorido.


Rússia

A tradição dos ovos coloridos também é forte na Rússia. Mas lá, ao dar o ovo para outra pessoa, se diz "Kkristos Vosgrés" (Cristo ressuscitou). Já quem recebe o presente deve responder "Voistinu Vosgres" (Ressuscitou realmente).



Fontes:

A história da Páscoa

A forma como a Páscoa é celebrada atualmente é muito diferente dos rituais mais antigos e tradicionais, cercados de significados religiosos. Tanto para o Cristianismo quanto para o Judaísmo, a Páscoa é o momento em que os devotos oferecem sacrifícios ou relembram o sofrimento que os conectam a Deus. Vamos ver como esta data foi vista e celebrada ao longo do tempo.

O primeiro registro histórico desse ritual aparece no Velho Testamento, na parte em que se descreve o Pessach. Segundo a Bíblia, no dia 14 de mês de nisã do calendário hebraico (março ou abril no calendário gregoriano), os judeus deviam oferecer um cordeiro em sacrifício a seu deus, Yahweh, para celebrar a libertação do povo de Israel do Egito. Os cordeiros sacrificados eram servidos a noite em uma refeição chamada séder.

No início do século 1 d.C., um novo sacrifício realizado durante o Pessach entrou para a história. Ao invés de um cordeiro, um homem foi imolado: Jesus Cristo, que, segundo seus seguidores morreu crucificado para salvar a humanidade. A partir de então, os cristãos passaram a celebrar a Páscoa para relembrar a sua morte e ressurreição.


Há quem acredite que a última ceia de Cristo foi na verdade um séder de Pessach, pois segundo o evangelho de Lucas, Marcos e Mateus, Jesus teria sido crucificado no dia 15 de nisã, e feito a sua última ceia na véspera, dia 14 de nisã.

Até hoje os judeus ainda comemoram o Pessach, já que não acreditam que Cristo era o salvador dos homens, e sim um profeta, e ainda mantém em suas tradições o séder de Pessach. Confira mais um pouco da forma em que é servida essa refeição, ainda hoje, nas famílias judaicas:


Kearat haPessach é a bandeja, prato especial, com lugares designados para os alimentos simbólicos de Pessach, que a compõem: charosset, maror, zroa, beitza, karpas, chazeret, cada qual com seu significado e ligação a Pessach. Ke- arat haPessach tornou-se, com o passar dos anos, um objeto onde a arte judaica se pode manifestar, expressando o encontro entre os motivos judaicos típicos da festa com a expressão artística do artesão/ artista, que usou materiais e instrumentos que se achavam à sua volta.

1. zroa, osso, é o símbolo do sacrifício pascal, que ocorria na época do Beit Hamikdash. Utiliza-se um osso de frango, queimado na brasa, ave que nunca foi ofertada como sacrifício.

2. beitza, ovo, representa a oferenda da festa, mas também é símbolo de luto. É colocado cozido, inteiro, com a casca. Antes de ser servido na refeição, é descascado e saboreado, após mergulhado em água salgada.

3. e 6. maror e chazeret, raiz forte e erva amarga. São ingeridas, em lembrança aos tempos amargos sofridos por bnei Israel, enquanto escravos. Coloca-se alface romana e raiz forte.

4. charosset, um purê de maçãs raladas, tâmaras e/ou passas, misturado com nozes, canela e/ou gengibre, com um pouco de vinho, que se assemelha à argamassa na qual trabalhavam nossos antepassados.

5. karpas, salsão (podendo ser substituído por cebola, rabanete ou batata cozida). É mergulhado em água salgada antes de ser saboreado, para simbolizar as lágrimas derramadas na época da
escravidão.

Fontes:
Revista História Viva
The Book of Jewish Food (Claudia Roden)

Os símbolos da Páscoa

Quem nunca se perguntou de onde vem alguns dos símbolos da páscoa, por exemplo, o ovo de páscoa, ou o coelho da páscoa? Confira a origem de alguns desses simbolismos. Por ser uma comemoração sacra, a maioria deles tem fundos religiosos.

Ovo de Páscoa

Em praticamente todas as culturas o ovo traz a ideia de nascimento, de vida. Desde a antiguidade já se presenteavam pessoas na ocasião da Páscoa com ovos enfeitados e coloridos. O cacau também sempre foi conhecido pela energia que contém. Com o surgimento da indústria do chocolate, em no século XIX, os elementos se juntaram em um só, e hoje o ovo de páscoa é um dos símbolos que mais lembram a data.


Coelho

Mamífero que se reproduz constantemente, representa a fecundidade, que consequentemente nos remete à vida. Além disso, também é símbolo da Igreja Católica, que é fecunda em sua missão de propagar a palavra de Deus aos povos.





Círio Pascal

É uma grande vela que se acende na Igreja, no sábado de aleluia. Significa que "Cristo é a luz dos povos". Simboliza o Cristo que ressurgiu das trevas para iluminar o caminho de todos. Tem gravadas as palavras "Alfa" e "Omega", que quer dizer que Deus é o princípio e fim.



Pão e Vinho

Eram na antiguidade a comida e bebida mais comum para vários povos. Foram os alimentos da última ceia de Jesus, que (possivelmente) celebrava a Páscoa. Ficou marcada por esse motivo como um dos símbolos desta data.



Colomba Pascal

É um bolo semelhante ao panetone, mas com formato de uma pomba. Representa a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos quando há a ressurreição de Jesus Cristo. Além disso, a pomba simboliza a paz, centro não só do cristianismo, mas de todas as religiões.



Cordeiro

Símbolo mais antigo da Páscoa, representa a aliança entre Deus e o povo judeu. Antigamente, a data era celebrada com o sacrifício de um cordeiro (veremos mais sobre isso na postagem de amanhã).

Os preços da páscoa

Para finalizar o assunto "preços de ovos de páscoa", vamos falar de valores menos absurdos, mais palpáveis. Recebi uma imagem legal, que compara os preços dos ovos de páscoa com os chocolates, das mesmas marcas, com os respectivos pesos. A pesquisa foi feita pelo Coma Com os Olhos, mas primeiramente vi no Sedentário. A diferença de preços é incrível, a economia a ser feita é muito grande, baseando-se em qualquer das marcas pesquisadas passa de 50%. A maior divergência de preços é do Classic ao Leite, da Nestlé. O ovo de 170 g custa R$ 17,90, enquanto uma barra de 160 g custa "apenas" R$ 4,19, é uma diferença quase ilógica, se não fosse pelo marketing feito em cima da páscoa. Podemos comprar muito mais chocolate com muito menos dinheiro, é só não caírmos na tentação da magia dos ovos de páscoa.


Um ovo de páscoa ou uma Ferrari?

Para completar a postagem sobre o ovo de páscoa mais caro do Brasil, hoje trago para vocês o mais caro já produzido no mundo, o Diamond Stella Egg. Seu preço é realmente absurdo, cerca de 100 mil dólares. O ovo tinha 65 cm de altura e foi enfeitado com cerca de 100 diamantes. O ovo foi feito no ano de 2006, e levou três semanas pra ser feito, em um workshop em Paris. Foi colocado a venda na loja La Maison du Chocolat de Londres, e foram contratados dois guardas para proteger o produto. Não achei informações se o ovo foi comprado, mas um dos executivos da empresa disse que havia tido uma procura, mas não podia dizer mais pois o possível cliente pediu confidencialidade. Também foi divulgado que os diamantes usados no ovo não tinham sido comprados, e sim alugados. A compra só seria efetuada se alguém realmente comprasse o ovo, se não os diamantes seriam devolvidos e o Diamond Stella Egg se tornaria apenas um Stella Egg. Imagino que se alguém comprou foi um ricaço a pedido de sua mulher. Afinal, chocolate e diamantes juntos, que mulher não gostaria de um presente desses?

Um ovo de páscoa de luxo

É pessoal, a páscoa está chegando, e conseqüentemente está chegando também a hora de comer ovos de páscoa. Navegando por aí achei o ovo de páscoa mais caro do Brasil, produzido pela famosa (tanto pela qualidade quanto pelo preço) marca Kopenhagen. O dito cujo custa nada mais nada menos do que R$ 1590,00. O chocolate usado na sua produção é batido por 72 horas, nove vezes a mais do que nos ovos comuns. Lembrando que esse preço é para o produto de 10 kg. A Kopenhagen oferece também por R$885,00 uma edição com o mesmo chocolate pesando 5 kg. Ainda tem em escala menor ainda, usando o mesmo chocolate: 300 g por R$ 54,90.

E se você quer gastar muito dinheiro com ovos de páscoa, ainda tem muitas opções, afinal as empresas estão apostando em produtos mais finos, com porcentagens bem maiores de cacau (chegando até a 100%). Até mesmo a Nestlé, marca popular, nessa páscoa investiu em chocolates mais bem produzidos: o ovo de páscoa Gold pesa 330 g e custa R$ 120,00, e é elaborado com cacau importado da Venezuela, Gana e Equador e produzido na Suiça. A edição é limitada.

Realmente deve ser muito bom, mas será que vale a pena pagar isso tudo em um "simples" ovo de páscoa?

E uma data tão especial quanto a Páscoa não poderia passar em branco. Aqui no Bela Bagunça você vai conferir um Especial de Páscoa, com postagens diárias sobre essa comemoração, começando de hoje.